O conceito Open Educational Resources (OER) – Recursos Educacionais Abertos (REA) – foi referido pela primeira vez num workshop da UNESCO, em 2002. Contudo, já em 1998, David Wiley havia introduzido o termo “conteúdo aberto”, originando rapidamente movimentos de disponibilização gratuita de conteúdos, levando à criação da Open Publication License. Em 2000, a iniciativa OpenCourseWare é anunciada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e, em 2001, o Creative Commons (CC) é fundado por Larry Lessig, promovendo um conjunto flexível de licenças, melhorando a estrutura confusa da Open Publication License.

Apesar de uma existência de quase dez anos, o conceito REA ainda não conheceu uma definição única.

  • The open provision of educational resources, enabled by information and communication technologies, for consultation, use and adaptation by a community of users for non-commercial purposes. (UNESCO, 2002)
  • Open Educational Resources (OER) are teaching, learning and research materials that reside in the public domain or have been released under an intellectual property license that  permits their free use by others. (UNESCO, 2002)
  • Open educational resources include full courses, course materials, modules, textbooks, streaming videos, tests, software, and any other tools, materials, or techniques used to support access to knowledge. (Hewlett Foundation, 2007) 
  • Johnstone (2005) states: by 2004 OER was defined to include: Learning resources – courseware, content modules, learning objects, learner support and assessment tools, online learning communities; Resources to support teachers – tools for teachers and support materials to enable them to create, adapt, and use OER, as well as training materials for teachers and other teaching tools; Resources to assure the quality of education and educational practices. (Downes, 2007)

Apesar da não existência de uma única definição de REA, a OLCOS – Open e-Learning Content Observatory Services -, fundada pela Comissão Europeia, identificou três atributos fundamentais que devem caracterizar estes recursos, ajudando à identificação dos mesmos (OLCOS, 2007):

  1. o acesso ao conteúdo aberto é oferecido gratuitamente pelas instituições educacionais, provedores de conteúdo e utilizadores finais;
  2. o conteúdo é licenciado de uma forma generosa para que possa ser reutilizado em atividades educacionais e livre de restrições que o impeçam de ser modificado, combinado e remisturado;
  3. os sistemas e ferramentas usadas devem ter código-fonte disponível, devem oferecer interfaces de Programação de Aplicativos (APIs abertas) e autorizações para reutilizar os serviços web bem como os recursos. 

O crescente número de REA produziu uma quantidade significativa de conteúdo, introduziu novas práticas no campo educacional, levando a mudanças no paradigma educacional, ou seja, na forma como se ensina e como se aprende. Contudo, a utilização dos REA levanta algumas questões (UNESCO, 2009):

  • a preocupação com a qualidade dos recursos educacionais abertos;
  • a apreensão com a sustentabilidade dos REA e dos vários projetos associados;
  • o contacto com novas formas de avaliação e acreditação altera a relação docente/discente;
  • a promoção  de uma perspetiva global no ambiente educativo deverá aproximar os países desenvolvidos dos países em desenvolvimento, mas tal nem sempre tem acontecido;
  • a fraca adesão à reutilização dos REA pode levantar algumas questões no que diz respeito ao valor que estes assumem nas várias áreas do conhecimento. 

Por seu lado, Baker (2007) também identifica alguns desafios que se colocam aos REA:

  • a necessidade de disponibilização de mais recursos para apoio ao corpo docente,
  • a garantia de qualidade dos materiais de aprendizagem disponíveis,
  • a necessidade de articulação e transferência entre os diferentes REA,
  • a identificação de ferramentas de colaboração para uso, desenvolvimento e disponibilização de materiais abertos de aprendizagem,
  • o incentivo do uso das ferramentas digitais pelos professores,
  • a conformidade com os requisitos de acessibilidade estipuladas. 

Apesar destes desafios, segundo Doyle (2007), os REA concedem mais valias ao nível individual e coletivo:

  • aos autores a publicação com o acesso ao maior público possível, pois estudos mostram que os seus artigos são citados com mais frequência;
  • aos leitores acesso aberto a um conjunto quase infinito de literatura;
  • aos editores a garantia de uma divulgação mais ampla dos artigos que publicam, pois a partilha de ficheiros aumenta na realidade o mercado dos seus produtos comerciais;
  • aos financiadores a obtenção de um maior impacto do seu investimento;
  • às universidades um aumento da visibilidade do conhecimento que promovem. 

Os REA assumem um papel muito importante no ensino e na aprendizagem, contudo é crucial a promoção da inovação e mudança nas práticas educativas. Se a prática do conhecimento centrado no professor não se alterar, os REA terão poucos efeitos na alteração das práticas de ensino e aprendizagem.

Numa sociedade assente em conhecimento, algumas competências são fundamentais para uma participação de sucesso dos indivíduos: auto-orientação, criatividade, espirito crítico, capacidade para resolução de problemas, trabalho colaborativo e habilidades de comunicação. Os REA assumem-se como ferramentas privilegiadas na promoção da aquisição destas competências. Assim, devem ser promovidas novas ferramentas educacionais e conteúdos de acesso aberto, levando a uma nova cultura educacional.

Para isso, os professores devem modificar o seu papel de dispensadores de conhecimento para facilitadores de práticas educacionais, designadamente abertas, que enfatizem o desenvolvimento das competências identificadas como fulcrais na sociedade do conhecimento e da informação que conhecemos hoje. Devem promover o desenvolvimento de competências nos aprendentes que lhes permitam identificar e estudar problemas do mundo real, avaliar a qualidade das fontes de informação e discutir criticamente os resultados dos seus estudos, exaltando o envolvimento dos aprendentes na aprendizagem ativa e construtiva de conteúdos, ferramentas e serviços. Os docentes devem privilegiar modelos de aprendizagem que fazem uso de ferramentas e serviços que favoreçam a aprendizagem colaborativa, a partilha de ideias, experiências e resultados, a criação de conteúdos educativos, como é o caso do social software (weblogs, wikis, rss, entre outros). Por último, devem ter conhecimento dos repositórios e serviços de acesso aberto existentes nas suas áreas de interesse, pesquisar regularmente recursos de interesse e reutilizar modelos de aprendizagem e recursos. Assim, na posse e domínio do mundo dos REA o campo educacional continuará a conhecer movimentos de inovação nas práticas de ensino-aprendizagem cada vez mais flexíveis e voláteis.

Fontes:

Baker (2007). OER Introduction. Disponível em http://cnx.org/content/m14466/latest/. Consultado em novembro de 2011.

Doyle (2007). Construir. Disponível em http://are11uab.wikispaces.com/Construir#A3. Consultado em novembro de 2011.

Downes (2007). Models for Sustainable Open Educational Resources. Disponível em http://ijklo.org/Volume3/IJKLOv3p029-044Downes.pdf. Consultado em novembro de 2011.

Hewlett Foundation (2007). Disponível em http://www.hewelett.org/uploads/files/Hewlett_OER_report.pdf. Consultado em novembro de 2011.

OLCOS (2007). Open Educational Practices and Resources. Disponível em http://www.olcos.org/cms/upload/docs/olcos_roadmap.pdf. Consultado em novembro de 2011.

UNESCO (2002). Forum on the Impact of Open Courseware for Higher Education in Developing Countries.  Disponível em http://portal.unesco.org/ci/en/files/2492/10330567404OCW_forum_report_final_draft.doc/OCW_forum_report_final_draft.doc). Consultado em novembro de 2011.

UNESCO (2002). Joint Workshop on Open Educational Resources and Intellectual Property Rights.  Disponível em http://iite.unesco.org/news/387945/. Consultado em novembro de 2011.

UNESCO (2009). UNESCO OER Toolkit/The Emergence of Open Education. Disponível em http://oerwiki.iiep.unesco.org/index.php/UNESCO_OER_Toolkit/The_Emergence_of_Open_Education. Consultado em novembro de 2011.

USAR (2011). Wiki do Grupo. Disponível em http://are11uab.wikispaces.com/Usar#docente. Consultado em novembro de 2011.

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